Na quinta-feira, na viagem de comboio Braga-Lisboa li o livro "Nunca te distraias da vida" de Manuel Forjaz. Sim...li-o todo em 3h30! O livro é simplesmente inspirador... Ao longo do livro o Manuel vai enumerando lições que aprendeu ao longo da batalha dele contra o cancro e foi a Lição número 8: partilhar também ajuda os outros que me fez ganhar coragem para escrever este post. Há uns tempos atrás referi aqui que algo menos bom me tinha acontecido e que escreveria sobre isso um dia...Ainda não consigo pensar nisto sem me emocionar ou chorar (depende dos dias) mas como acredito de verdade que a partilha de vivências pode ajudar em muito quem passa por situações semelhantes deixo aqui o meu testemunho...
Em Janeiro descobri que estava grávida. Foi uma gravidez planeada e desejada tanto por mim como pelo P. e claro como qualquer casal ficamos radiantes...começamos a fazer planos, a viver aquele momento, a criar expetativas... Tive alguns leves enjoos, tonturas tudo dentro da normalidade... No dia em que ia fazer os indicadores bioquímicos, estava na altura grávida de 7 semanas, fiz uma ecografia e foi-me dito que não havia batimentos cardíacos...que estávamos perante uma gravidez não evolutiva. Nesse dia senti-me sem chão...o mundo desabou. Chorei muito...Nunca em momento algum pensei que isto me fosse acontecer. Iniciei então o processo de tomada de medicação para esvaziar o útero. É doloroso a nível físico mas muito mais doloroso a nível psicológico...como me disse a médica "a pior dor é a do coração" e é mesmo. Inicialmente pensei ir logo trabalhar. Achei que ficar em casa ainda me ia fazer pior. Mas rapidamente percebi que precisava de tempo para mim...para recuperar aquela perda, para organizar a cabeça, para fazer o "luto", para chorar...e assim fiz! Gozei a licença a que tinha direito por lei e aconselho a toda a gente que passe pelo mesmo a fazê-lo. Precisei de passar tempo comigo, de refletir, de espairecer...precisei de fechar um ciclo. Casos como o meu são mais comuns do que se possa imaginar mas as pessoas não falam muito sobre isto...e eu até percebo porquê: porque é muito difícil e doloroso falar...não por não quereremos que as pessoas saibas mas simplesmente porque não é fácil falar sem chorar...pelo menos para já...Não abandonamos o desejo nem desistimos de ter um filho mas adiamos para já. É tudo muito recente e só o tempo terá o poder de apaziguar a dor.
Fica deste lado a disponibilidade para ajudar, no que puder, quem possa estar desse lado e que passou ou está a passar pelo mesmo...
"A minha vida continua e continuarei a vivê-la, todos os dias, sem nunca me distrair." Manuel Forjaz

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